22 de out. de 2013

mudança




mudei eu
mudou você

                   [mudamos nós
                    ou o meio em que nos moldamos
                    se acomodou?]

e o poema
que nos so[nh]ava

 emudeceu


 valéria tarelho
*poema provocado pela imagem acima, de Clarice Freire, do 'pó de lua']

5 de out. de 2013

" Avenida Anchieta "


Eu me abrigava na rede . Sentia tanta proteção,ali,enrolada naquele tecido forte e xadrez. 
Não havia frio,nem calor. Havia aconchego,esconderijo. Dias em que eu fugia do mundo. 
Noites em que eu acreditava no amor. 

O amor me salvaria,sustentaria e traria a felicidade para mim. 
E a rede entendia o meu coração.Indo e vindo. 
O balanço  me jogava aos braços de Beatriz e de Jacques Brel. 

Não me deixes mais. O Remy Martin e  o Pacco Rabane impregnavam,delicadamente, cada ponto da rede.
Não precisava de mais nada naquela casa. A rede e  os meus sonhos ocupavam todos os cômodos,esplendidamente vazios. Minha rede,meu reino forte. Meu  amor até a morte.

Neusa Doretto

29 de set. de 2013

" Lávocê "

Se tudo se transforma
do estado líquido
em que estamos
O gasoso
pode
envolver
num perfume
e
o
sólido
dar
um
prazer
e
um
certo
volume!

Neusa Doretto

21 de set. de 2013

Torpor

















Tonta de amor
trêmula a teus pés. 
Sou pouca.

Sequer tateio tua tez tirana
Sequer fico sob teu teto
Mas
Tudo em mim é tanto
perto de ti

Que desafeto
partir !

Neusa Doretto

15 de set. de 2013

" Aro "













É pelo  olho que
tudo entra
pelo olho que se inventa  a ilusão
É pelo olho que se dá
A locomoção
a mudança de uma opinião
É pelo olho que  se joga ou se  acomoda
qualquer intenção
O olho é veloz
É roda
E
canta como pneu
quando
bate
no
seu




Neusa Doretto

2 de set. de 2013

" Sinopse "



Passei por aqui e você não havia chegado ainda.
Pensei ter ouvido seus passos um dia desses. Devo estar ansiosa com essas pessoas passando pela minha vida. E você não passa. Não veio ainda. Deve estar acabando um amor que durou a vida inteira. Pela demora, deve ser isso. 


Neusa Doretto



20 de jul. de 2013

" de repentemente "





...E até aquele amor que não deu certo
Foi a coisa mais certa que eu tive
Meu Deus,se não é por amor,
porque é que se vive?

Amor a tudo
Ao acordar e ter o bucho farto
Ao dormir no calor do quarto

Amor pela existência
Pela graça cedida e rimada
que registra a aventura da vida
Mais nada!

Neusa Doretto