30 de abr de 2012

a ver navios



seu olho
céu & sea
oceano
onde me
atlantico
 
mar que 
ártica
articulo
[m]ilhas
pacifico
ondas

seu tsunâmico
olho [amistoso em sonho]
fosse lago manso 
leito de rio
piscina olímpica
[eu] mergulharia

ao que tudo indica


valéria tarelho

*foto de Lydia/Owl, que deu o nome de Henry ao pássaro



25 de abr de 2012

remember

















saudades de você
gostando 
do
banho
e
da cama
da minha 
propriedade
e
eu
na 
propriedade
de
ser
sua



















24 de abr de 2012


Masoquismo

Tem uma faca na boca
e com ela me sangra
- mas depois de cortar,
me estanca -

Essa faca tem força,
busca sempre o pescoço
me esvai e cega,
expõe nervo e osso.

depois desce assim pelo corpo

misericordiosa e precisa.

Sem perguntar
trata-me como fruta madura

e me cauteriza.

23 de abr de 2012


Guardar a vida pelo avesso não é poupar ranhuras, rasuras de um mal descrito, nem se livrar do mal que (bem ou mal) se diz escrito. Guardar a vida pelo avesso é se apossar do verbo e impedir o tempo de passar (a qualquer preço).

sidnei olivio

19 de abr de 2012





Queria uma palavra uivo

que penetrasse

as curvas da noite

e acabasse nua

embriagada

nas costas do dia...

18 de abr de 2012

sobre dar






















deu lembranças

deu coisas
deu sentimentos
deu dias
deu pedacinhos da vida
deu casa roupa comida
deu relógio  gavetas
a dor madura
do choro sozinho

Dentro do vidro
mais uma poesia  

17 de abr de 2012

Verdade mesmo?

Se eu tenho medo da verdade? É isso? Hum... Não, eu não tenho medo da verdade. O que me coloca medo mesmo, e chega a ser pavor, é o efeito da verdade sobre mim: a angústia frente à declaração que, antes de afirmada, era fantasia, pensamento apenas. E também a felicidade exagerada que a ela pode trazer, e o assombro impotente diante dessa felicidade toda. E mesmo aquele torpor que o corpo experimenta quando a verdade, em sua cruel denúncia, faz com que a solidão seja finalmente notada. Eu tenho medo é disso. Não da verdade crua, mas de quando ela se enrosca em meu pescoço e faz aquele buraco enorme no estômago. 


A verdade é uma filha da puta!




- mariela mei
há tempos
que não te vejo.
como é grande essa cidade!

saudade...

não sei mais onde moras
o que fazes
se me lembras...

verdade!

penso em ti agora.
amanhã
já te esqueci.

vaidade.

16 de abr de 2012

veloz[cidade]

*imagem: "cidade, city, cité", de augusto de campos - transcriação computadorizada de erthos a. de souza



saudade tamanha
de  vê-lo em cena
a todo poema

nessa distância
                             -seu sampa
                              e minha simples rua-
resta sua
im_pressa [precisa]
lembrança

pessoa
que sempre me
passeia
  

valéria tarelho

13 de abr de 2012

CICLO

Mordi a maçã,

desci a montanha,

matei a esperança

e a marca que fica

é mera aragem

que move a relva

e amansa a sina.

12 de abr de 2012



O Silêncio fez a cama

tua ausência

ecoava pela casa

e eu...



confessava

desejos proibidos

às paredes.

11 de abr de 2012

Roleta Russa



O amor pode dizer sim 
ou não
 dizer sempre
dizer tudo 
até felicidade 
 Ou
 ser  disfarce 
 de um uísque puro 
ou chocolate 
delicado 
que 
se 
parte 



10 de abr de 2012

a cabeça DÓI.
do-           (A) 
  dói        (CA)
    Doe     (BE)
    a  doenÇA  da cabeça
                 DÓI.




- mariela mei - 

9 de abr de 2012

la belle de jour

na tarde sombria
desceu a rua
de roupa amarela
desceu a rua
com uma imensa
destreza
e uma enorme
begônia
na lapela (artigo 12
dos “estatutos do homem”)

imaginou ser aquela que viu na janela
a bela da tarde que na tarde lhe sorria

mas sorria apenas
– sem alarde –
como diria Mecenas
(: a realidade
não combina com a poesia)

nirvana


6 de abr de 2012

ALMA DE CHOCOLATE

O chocolate está no controle.
Há tempos olvidei o basta.
Eu o devoro e o seu gosto
me entorna a alma açucarada,
cor demerara, redonda e sonora
como a boca em um bombom
trufado de cupuaçu.

Tradução de The Chocolate Soul de Chris Ritchie

5 de abr de 2012

4 de abr de 2012

perecível


Perecível
Eu não guardo poesia
A poesia é dura
A poesia não esse molha
A poesia não estraga.

Ela não precisa ser guardada.
 Eu preciso. Eu estrago












3 de abr de 2012

serengueti





Apago os rastros, pra te dar mais trabalho.
Eu corro agridoce e  indócil 
(é que não gosto das coisas muito fáceis).

Eu admiro as feras que comem as presas 
que ainda respiram 
e se contorcem.

INSÔNIA

Se o que se faz de mim É esse tempo Que fico a pensar Então as longas noites Que passo insone Constroem-me inteira.................


2 de abr de 2012

protesto




trame contra sinais de perigo
apague os pingos dos cílios
abrace a consequência sem trema
rasure a ânsia da redundância
esqueça as aspas em pausa
excite asas
exercíte o bíceps da metáfora
risque todo hífen que ainda insiste
troque o itinerário dos pontos fracos
cometa um atentado poético
ultrapasse de frase
a cada sinal de se
pare


valéria tarelho

*imagem via Google