31 de ago de 2009

O pulo


Estou sozinha há tanto tempo
que no momento
não sei de parceria
nem de histeria
ou ciúme louco
e mais um pouco
mando para os ares
o amor e seus olhares
agora
e por hora
sem mais
pra sempre


Neusa Doretto

28 de ago de 2009


Queria habitar teu corpo


como quem navega os mares


e sempre tem um porto...

26 de ago de 2009

traímos
a alegria
quando
nunca choramos
(: o riso
é a forma
secundária
do choro)

23 de ago de 2009

atemporal

meu tempo
voa
impreciso
nas asas
de um Ícaro
indeciso

(imagem extraída e modificada do blog overmundo)

20 de ago de 2009

SaBoTaGeM





Ainda não sei escrever um sentimento
do estado natural
de vibrar sob a pele e trincar as palavras
Como não sei amar
porque não acaba o que eu tenho...

Estou na sua vida
ou não
-A que venho?






NEUSADORETTO

19 de ago de 2009

adaptação


para se proteger da seca
o cacto deu um jeitinho:
transformou folha em espinho.

sidnei olivio


17 de ago de 2009

Banal


nada a perder
e do estado líquido em que estamos
o gasoso pode envolver
num perfume

e o sólido dar um prazer
e um certo volume!

não se diz

diferente
da palavra
que se grita

a dor
que se cala
é a dor

mais aflita

sidnei olivio

13 de ago de 2009




Disfarço

olho pra rua

tomara que o azul

não perceba

que eu estou de flerte

com a lua...

até que a morte nos separe


maior que medo de doença
é que nesta farsa ensaiada
meu papel de improviso
( haja caco!)
não convença

um dia ainda acordo com a macaca
dou banana pro mundo
vou catar coquinho
chutar o pau da barraca
recolher os cacos

e igual ao (seu) peru
morrer de véspera

12 de ago de 2009

mise-en-scène


imagem © TheExpatriate (deviantart)

bizarro
é ser voyer
dessa dupla
intenção
e - impotente -
observar
que a farsa
copula e goza
com a culpa
[póstuma]

horror
é ver a tara
[cara a cara]
mascarada
de amor


valéria tarelho

adágio para uma nova manhã


o sol com seu fausto
no holocausto da tarde
recompõe a noite, sem alarde
(a noite é apenas o presságio
do impune amanhecer)
sidnei olivio

11 de ago de 2009




Paixão

sensação de santa

chão frio e manta

e eu fiel

com

perdão

e
anel.


NDoretto

10 de ago de 2009

ciúme


imagem de Hajar Moradibeni

"Eu me mordo, eu me rasgo, eu me acabo
Eu falo bobagem, eu faço bobagem, eu dou vexame
Eu faço, eu sigo, eu faço cenas de amor"

(Ultraje a Rigor)


fugi
da cena
do crime

na pressa
esqueci de apagar
a má
impressão


valéria tarelho

8 de ago de 2009

Entre_mentes



no entremeio
falta falo
entredentes
jacta fala
.
.

Passando pela sua vida
resolvi entrar:
-agradável abraço arejado
mas saída para todo lado
perto de nada
feio e bonito
um pontinho


a mais



No infinito







neusadoretto

7 de ago de 2009

agora
eu entendo
aquele sorriso
verde-vesgo
plantado
na sua cara

(a ressaca do inacontecido!)

: é que a vida
descomemora
o gosto
de fel urgido
quando o pior
piora!

6 de ago de 2009


DECEPÇÃO





O QUE DANÇA EM MINHA LEMBRANÇA

É A TUA IMAGEM DE PEDRA

QUE A CORRENTEZA DEIXOU POR UM FIO.

atacada


.

quando as palavras
se atracam comigo
saio por aí
desatada
destrancando
a tacadas
versos
por atacado

.

5 de ago de 2009


Isso
da alegria passa
sem
deixar
pegada
alguma
E o grande amor
da vida
é uma pele exposta ao sol
Que doura
embeleza
descasca
e cai
Viva e repetitiva.

propaganda revisitada


imagem de athina pavlova


liberdade é uma calça velha, azul e
d e s a b o t o a d a

[vereda
onde a língua
a solta desvenda
o mais íntimo
poema]


valéria tarelho

INTRO



Na boca da mulher
o mar
imenso
a palavra escorrendo
concha e areia


no canto da retina
a poesia marulhando...

4 de ago de 2009



vidinha amorosa


O coração enche a cara
porque o
o sentimento
enrola a palavra
que não gosta disso
e manda a paixão calar a boca !



neusadoretto

3 de ago de 2009




Eu não guardo poesia.
A Poesia é dura.
A Poesia não se molha.
A Poesia não estraga.
Ela não precisa ser guardada.


Eu preciso.
Eu estrago.



Neusa Doretto

1 de ago de 2009

resumo da ata

um do oito

aos membros
tronco
músculos
hormônios...
:
quando entrar
setembro

já gozamos
a gosto


valéria tarelho