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22 de out. de 2013
mudança
mudei eu
mudou você
[mudamos nós
ou o meio em que nos moldamos
se acomodou?]
e o poema
que nos so[nh]ava
emudeceu
valéria tarelho
*poema provocado pela imagem acima, de Clarice Freire, do 'pó de lua']
3 de jun. de 2013
1 de abr. de 2013
ora pílulas
se o poeta
finge dor
o poema
forja
uma fuga
da morfina
metáfora rima
& heterônimas
aspirinas
o poeta
- pessoa -
tanto mente
quanto sente
valéria tarelho
*imagem de Bruno Rodrigues
19 de nov. de 2012
flor-de-alice
12 de nov. de 2012
utopia
onde a poesia impera
violência é fictícia
bala é doce
polícia e ladrão
não passam de mera
diversão:
brincadeira
de criança
valéria tarelho
* imagem via flickr de Rafael Romero
5 de nov. de 2012
solução

bom gosto: vinho
de antiga safra
bom susto: suco
de água com açúcar
bom mesmo
é [en]tornar líquida
a vida árida
que nos liquida
valéria tarelho
"A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d’água, bebida. A vida é líquida."
[trecho de Alcoólicas - Hilda Hilst]
10 de set. de 2012
arte íntima
30 de jul. de 2012
à unha
via Google imagens
uma dose
de minúcia
: cisco asterisco pulga
coisa mínima
que [no mínimo]
coce a vista
belisque a língua
atice o tímpano
: preciso
poema
sem cílios postiços
sem mamão com açúcar
que salte sugue sangre
soe sem ruído
: persigo
valéria tarelho
16 de jul. de 2012
almost blue

até aqui
deu quase tudo certo
quase perto de
quase lá
quase êxito
hesito
- quase-equilíbrio -
existo
- quase-delito -
insisto
quase que por causa
desse quase risco
valéria tarelho
fotografia © manuela morgado
deu quase tudo certo
quase perto de
quase lá
quase êxito
hesito
- quase-equilíbrio -
existo
- quase-delito -
insisto
quase que por causa
desse quase risco
valéria tarelho
fotografia © manuela morgado
2 de jul. de 2012
camaleônico
indeciso teu olhar de indecifrável cor. olha-me oliva, mira mel, fita furta-cor. vê?
azeita, quando não azeda. em todos os sentidos, mela. ora verde de não dar bandeira. ora âmbar, que dá liga. alguma trela.
ambígua tua íris colorida de ambos tons. mescla de musgo e folha seca. amaretto di amore. licor de menta. tea, quando [os]tenta o disfarce erva-mate com um truque toque cinnamon. suave, mente. omite, en passant.
mítico. mimético. enigmático. a seduzir o pigmento de meu olho. nu.
valéria tarelho
*no Livro da Tribo 2013
4 de jun. de 2012
as últimas do Lácio
cultivo estas flores
- olavo -
incautas e bélicas
e algumas mudas
me fuzilam
do alto de seus galhos
- pátrios -
enquanto fal[h]o
- forasteira -
com os botões
28 de mai. de 2012
ele, cheio de prosa; eu, pois ia
imagem via Google
prometeu céus e mundos. deu-me a lua sem fases-disfarces. jurou por são jorge: anéis de saturno eram nossas alianças.
dei-lhe tudo
solo teto
frente fundos
vista paradisíaca
um dia foi ali
no rabo de um cometa
buscar outro souvenir
fiquei a ver ovnis
valéria tarelho
21 de mai. de 2012
sem fundos
não tem dinheiro no bolso
no banco ela está no vermelho
quebrou a cara na bolsa
já era a bela poupança
:
não rende mais
nádegas
14 de mai. de 2012
babel
ilustração de Jan Limpens
saiu à francesa
falando grego
típico discurso
para inglês ver
foi russo
e sem intérprete
pé na bunda gringo
nem com tecla sap
google translate
psicanálise
traduzo
valéria tarelho
7 de mai. de 2012
30 de abr. de 2012
a ver navios
seu olho
céu & sea
oceano
onde me
atlantico
mar que
ártica
articulo
[m]ilhas
pacifico
ondas
seu tsunâmico
olho [amistoso em sonho]
fosse lago manso
leito de rio
piscina olímpica
[eu] mergulharia
ao que tudo indica
valéria tarelho
16 de abr. de 2012
veloz[cidade]
*imagem: "cidade, city, cité", de augusto de campos - transcriação computadorizada de erthos a. de souza
saudade tamanha
de vê-lo em cena
a todo poema
nessa distância
-seu sampa
e minha simples rua-
resta sua
im_pressa [precisa]
lembrança
pessoa
que sempre me
passeia
saudade tamanha
de vê-lo em cena
a todo poema
nessa distância
-seu sampa
e minha simples rua-
resta sua
im_pressa [precisa]
lembrança
pessoa
que sempre me
passeia
valéria tarelho
9 de abr. de 2012
2 de abr. de 2012
protesto
trame contra sinais de perigo
apague os pingos dos cílios
abrace a consequência sem trema
rasure a ânsia da redundância
esqueça as aspas em pausa
excite asas
exercíte o bíceps da metáfora
risque todo hífen que ainda insiste
troque o itinerário dos pontos fracos
cometa um atentado poético
ultrapasse de frase
a cada sinal de se
pare
valéria tarelho
*imagem via Google
5 de mar. de 2012
voos
ele vai de vodka
eu vou de kafka
[le]vamos na valsa
viajamos
cada qual nas asas
do seu barato
valéria tarelho
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