30 de jul de 2012

à unha

 via Google imagens


uma dose
de minúcia
: cisco asterisco pulga

coisa mínima
que [no mínimo]
coce a vista
belisque a língua
atice o tímpano

: preciso

                                             poema
                                             sem cílios postiços
                                             sem mamão com açúcar
                                             que salte sugue sangre
                                             soe sem ruído

                                             : persigo


valéria tarelho

25 de jul de 2012

história



















Levou meus dedos consigo
meu coração no umbigo
mas
deixou-se comigo


Neusa Doretto

20 de jul de 2012

ENTRETANTO,


Com você quis fugir da minha vida
E vim dar no limbo,
Lugar estranho para se estar apaixonada,
Como a aranha na terra
Ou a pupa na estrada,
É fácil morrer de amor.
Difícil é viver entre o hoje e o nada.

18 de jul de 2012

Aos 50


Depois de ouvir quase as mesmas coisas dos grandes amores da sua vida,você conclui que amou muito e foi muito amada. E que todas foram maravilhosas. E que você também foi maravilhosa. E que o sentimento tem começo, meio e fim. E que a vida tem começo, meio e fim. Então, se você está no meio, reverta o quadro! Tudo que você quis dos 20 aos 40,foi amar,ser amada,morar junto. Brincou bastante de casinha. Agora basta. Chega de misturar casa e comida. Aos 50, é muito boa a vida e você nem presta atenção mais nesses detalhes.Amor e cabana é o tipo da coisa indecente. O que você quer agora é um romance,conforto e sexo ardente.

Neusa Doretto

17 de jul de 2012

MICROCONTO DO AMOR DECADENTE



Desço a rua ao seu olhar distante. Meu coração salta um triplo mortal. Você me observa por um instante. Eu sorrio. 
Você permanece imóvel. 


O cigarro de sempre, queimando lento como nossa história. 


Neusa Doretto fala sobre o "Poesia se Escreve com T"


"As pernas da sua poesia___
A poesia de Flávia Perez tem corpo, articula e anda.
É para ser lida por mulheres que são.
Que amam. Que odeiam e abandonam.
É poesia madura, literatura do amor que nasce e morre durante o sexo."

16 de jul de 2012

almost blue

até aqui
deu quase tudo certo
quase perto de
quase lá
quase êxito

hesito
- quase-equilíbrio -
existo
- quase-delito -
insisto
quase que por causa
desse quase risco


valéria tarelho
fotografia © manuela morgado

11 de jul de 2012

Legenda



Tem cara e tem pinta
de ser outro amor na minha vida
Na corrida
No passeio
Macio dos seus seios

6 de jul de 2012

CAMINHANDO EM SÃO PAULO


Com pequenos passos trêmulos
Em saltos muito altos
Para ancas tão amplas,
Elas se arriscam sem recompensa
Pelas calçadas despedaçadas
E eu perco a esperança de saber
Se são as moças que não caem

          por enquanto

Ou se as fissuras no concreto
É que têm esse poder.


5 de jul de 2012








Guardo minhas dores
em potes de mel
feito conservas
deixo ali



já são quase mil
e você nunca vem
para experimentar...

4 de jul de 2012

Fome

 hábito de amar e o costume do carinho
Cuide da minha rotina.
Das listas que faço.
Dos afazeres do amor.
Cuide da minha despensa: me consuma que eu supro
O amor não pode estragar; o que comer depois?

2 de jul de 2012

camaleônico




indeciso teu olhar de indecifrável cor. olha-me oliva, mira mel, fita furta-cor. vê?
azeita, quando não azeda. em todos os sentidos, mela. ora verde de não dar bandeira. ora âmbar, que dá liga. alguma trela.
ambígua tua íris colorida de ambos tons. mescla de musgo e folha seca. amaretto di amore. licor de menta. tea, quando [os]tenta o disfarce erva-mate com um truque toque cinnamon. suave, mente. omite, en passant.
mítico. mimético. enigmático. a seduzir o pigmento de meu olho. nu. 

valéria tarelho
*no Livro da Tribo 2013