Gosto de brincar com o tempo.
Falo-lhe pouco e devagar,
mas escrevo rápido demais,
mais que uma frase densa por segundo:
“Aos homens cabe esperar
e se curvar quando passas”.
Ele se envaidece e venço no contra-relógio.
Continuo correndo, e corro muito,
deixando o coelho branco para trás.
Ficamos de mal, o tempo me bate,
me mostra a velhice daqui a um ano
e sou obrigada a lhe dizer o óbvio:
“Te faço hoje pudim de chocolate
e, mais do que a mim, eu te amo”.


