25 de out. de 2011

sem venenos



Cultive o que importa.
Regue por vontade própria.

O revolver de vez em quando a terra,
é o que faz sementes virarem brotos
tornarem em plantas

de amores que não morrem mais.

24 de out. de 2011

insu_lar



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a poesia anda 
ensolarando 
páginas nuas 

é minha praia
ainda que nuble
caia chuva
chegue de lua


valéria tarelho
em tempo de guerra com as palavras
dormir é uma falta e um constrangimento

essas horas que passamos longe da vida

se pudéssemos escrever os sonhos não lembrados
se pudéssemos converter as horas não dormidas

essa vida que passamos longe das palavras

20 de out. de 2011

daquilo que pode ser

I

o silêncio nesse caso
é distância.

em outros pode ser
que também seja.

aí não me cabem.


já é difícil dar
conta deste que
veio e exigiu presença.


II

quando se aceita o que vem dentro da gente


a vida parece voltar a ser simples.



III

antes,
agonia.

medo do que estava por vir.


a gente é capaz de criar o que não existe.


IV


o poema vem como ritual de passagem,
de limpar o que sufoca.

vem para esvaziar


porque todo mundo precisa de espaço
e de ausência de voz.


ítalo.

19 de out. de 2011

Delas













Porque uma é feita de  palavras e as tem como alimento.
Enquanto a outra é feita de tinta e escreve sentimento.
Mas se encontram e se escrevem.
Sempre uma sobre a outra, longe e perto.
Em claro alfabeto que têm e usam.
Quando escrevem, quando  abusam. 
Com a propriedade das que não acabam. 
Porque são palavras e não se apagam.
Porque uma é corpo e alimento .
A outra é tinta e sentimento.

18 de out. de 2011

Enigma


Sabe aquela mulher no retrato de família,
com olhar de quem não está nem vendo
e pouco se importa?

Sou eu na fase natureza morta.

17 de out. de 2011

horário de veremos




uma hora
nossos ponteiros
se imantam

vamos ver
se adianta


valéria tarelho

*fotografia de Felicia Simion

sol de armistício



o meu caminho se perdeu
no poente do seu horizonte
sem nenhuma promessa de manhã.

em suas mãos o meu amanhã
: amanheço em silêncio
sombra submissa do seu sorriso.


Sidnei Olívio