5 de out. de 2011

A Dona



 A abandonada 
Um dia abandona 
E do nada 
Vira dona 
De si 
só 
Nega os medos 
(e se entrega aos dedos 
escorrendo 
líquida 
E certa 
por 
ela 
aberta)

4 de out. de 2011

Advertência



Colateral. Contra-indicada.

Experimente por sua conta e risco.
Advirto: vicio.
Eu
faço mal à saúde.

3 de out. de 2011

Mensagem de otimismo











Não se mate,
que a morte não é vingança!
Ainda que esse mundo seja um disparate
e a vida o fiel de uma balança,
cujo prato só pende
do lado de quem vende.

Vamos, esqueça a dor
do que já está perdido.
Deixe de lado o amargo do sabor ¾
as boas coisas são sempre obras do acaso!
Portanto, nem pense em partir (continue lançando os dados):
a sorte há de, um dia, lhe sorrir!

Sidnei Olívio

faro [e fino trato]














te adivinho
no bouquet
de um vinho tinto
:
tenho instinto
um tanto
etílico

valéria tarelho
*um curta antigo, brindando os bons momentos que passei no Congresso Brasileiro de Poesia, em Bento Gonçalves [RS - 2005/06], cuja XIX edição acontece agora, de 03 a 08 de outubro.
**fotografia: quadro exposto na vinícola Miolo.

23 de set. de 2011



Menina arteira


me tem inteira


me brinca


me aninha


me lambuza


dentro e na beira...

16 de set. de 2011

mate harmônico







Meu marido que é deus
Casou-se comigo ao perder de vista
Amou-me
Consagrou-me santa de todo altar
Encarnou em mim seu fardo
Seu receio que afronta liberdade
Sufocado estava de amor violento
ERA IDADE
Hoje coagido
Transborda amedrontado
Não quer me ver partir
Eu te digo, meu marido:
Monogamia é criatura rígida
Penetra em nossa raiz.
Porém, não te despeças de mim
Que por ora falo em ir embora
Ora decoro a casa
Eu nunca sei de mim.







 Image by felixxkatt

16 de ago. de 2011

higiene


só escrevo depois de escovar os dentes. é minha língua percorrendo os meus dentes o que me trava. a sujeira dos meus dentes. tão brancos. a escrita com dentes sujos. isso me agonia. trava. como se eu dependesse da boca para escrever. da boca estando limpa. como se. 

branca. é assim que escrevo o mundo.
em folhas de papel também em braco.
é preciso ser escuro para ler.

e ainda o papel de escrita de que me utilizo é um guardanapo. sujo de batom ou de restos de comida que ficam nos lábios. porque minha contradição é um plástico bolha. você se distrai. 

página em branco.
porque todo leitor
é também escritor. 

9 de ago. de 2011

A mai(s)


O sêmem, as outras,
a falta de tato, os destratos:
há coisas que a gente só engole no amor.

Mas depois que tudo isso passar,
nem pergunte porque a gente cospe,
me faça o favor!