14 de out. de 2011

MÃOS AO ALTO

A alegria bandida
me tomou de assalto,
me levou toda
a dor que guardava,
o manto que vestia
e me deixou sem nada
além da rua vazia.

13 de out. de 2011

Requerimento



Já houve tempo bastante
Completamos dois verões
E o meu amor absoluto
Hoje é verso incessante:
Quero o amor em estado bruto
Que ignora estações.
É o coração buliçoso
Que noves-fora o gozo
É na medida teimoso
Pra reinventar direções.

a todos os que sabem(os) amar

quero suar
quero sentir o corpo grudar e colar
sozinho

só de ficar parado

quero as gotas em bicas
do queixo e do cotovelo

quero o beijo que gruda
quero o suor azedo

de vida que pulsa e
se renova.

12 de out. de 2011

De bolso

Leve meu poema sozinho com você
Ele pode ser trem
Navio, avião também
Leve meu poema sozinho com você
Ele pode ser cobertor e café
Virar ombro e cafuné
 O meu poema sozinho é forte
 E crê no amor depois da morte

Vai que dê sorte 



10 de out. de 2011

diagrama do futuro

esperar por alguém
que (você sabe)
não vai voltar.
(o tempo que passamos
pacientemente
esperando...)
 paciente paciente
numa sala
de espera.


horizonte


via Google imagens


todo mundo
tem um ontem
tem um ente

um outono
um instante

um só poente

para lembrar
ou enterrar


valéria tarelho

6 de out. de 2011

(De) Compor



O Sol
Acompanhado está:
Terra, Vênus, Plutão,
Dó, ré, mi, fá, lá

Mas tome nota:
O só
É mim sem ti
E isso não faz galáxia,
Muito menos samba-canção

Só é arremedo de Sol
Pequena inveja
Por acunha, solidão.

* tentativa de dialogar solidões com o Íta Puccini...
** foto: arquivo pessoal
 
Moni

poema pra dentro

fiz da solidão
morada.

casa de concreto
em quadrado,

formato em que
não me cabem
cantos

ou contornos.

exercício de endurecer
por força da vida.